BARREIRENSE»» Grande entrevista de Jorge Prazeres - JORNAL DE DESPORTO

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quarta-feira, 22 de julho de 2026

BARREIRENSE»» Grande entrevista de Jorge Prazeres

Sócios, simpatizantes e staff têm que estar todos juntos ...

 

“A VERDERENA TEM DE SER UM INFERNO, MAS SEM ULTRAPASSAR AS REGRAS DO FAIR-PLAY” 

 


Novo treinador quer formar uma equipa competitiva para lutar pela vitória em todos os jogos e abre o jogo sobre aquilo que espera para a nova época desportiva. 

 

 



Jorge Prazeres recusou convite para treinar no Campeonato de Portugal para ficar mais perto da sua zona de conforto numa altura em que começa a equacionar a altura de terminar o seu trajeto como treinador. Honrado por ter recebido o convite do Barreirense, promete fazer tudo para continuar a enriquecer a sua história.  


   

 


O Barreirense é um dos clubes históricos da nossa região. Como se sente nesta altura, ao ser convidado para treinar a equipa principal? 

O convite do FC Barreirense surgiu numa altura que tinha acabado de recusar manter-me em Portel e no Campeonato de Portugal. O Barreirense é um clube fantástico com uma história única. Sei o que senti quando aqui passei como adversário. Não era fácil dizer que não a uma oportunidade que casa bem com a minha vontade de terminar o meu trajeto como treinador. Será uma última dança com a melhor companhia possível. O meu desejo é voltar a ver a Verderena cheia, a uma só voz. 

 


O plantel já começou a ser construído, mas ainda há muitos lugares em aberto. Entre os nomes já divulgados há algumas referências do clube, como é o caso de Bandeira e Cajó. Está a ser construído à sua medida? 

O plantel está 98% construído, embora não estejam todos os jogadores apresentados. Vamos ser competitivos e lutar para ganhar todos e cada um dos jogos que iremos disputar. O Bandeira e o Cajó são jogadores experientes que trazem ao plantel a maturidade e a mística que necessitamos para voltar a ser Barreirense. Ninguém melhor que eles, que já trabalharam comigo, sabem que o nível de exigência e rigor vai ser muito alto. 115 anos de história não se pactuam com desleixo e falta de ambição. Foram muitas gerações de pessoas que deixaram aqui a sua marca, suor e lágrimas. A nós cumpre-nos honrar a história e o seu legado. Não queremos que nenhum atleta nos faça o favor de jogar com esta camisola. Quem não sentir orgulho de vestir e ter o símbolo do Barreirense ao peito, não terá futuro, nem espaço neste grupo que espero se torne uma família rapidamente. Neste período que todo o staff estava a trabalhar para encontrar as melhores soluções dentro do orçamento estipulado, existiram atletas que não tiveram respeito pela instituição. Jogar neste clube já não é uma prioridade. Temos de ser capazes, todos juntos, de voltar a brilhar. Recuperar o prestígio que foi sendo perdido no tempo.  


 


Ultimamente a equipa de futebol sénior não tem andado muito bem. Consigo as coisas vão mudar? 

Não posso falar de um passado que desconheço. Uma coisa eu tenho a certeza, o compromisso do presidente e restante staff em querer que se recupere o tempo perdido. Só quem não toma decisões não erra. O importante é a bondade por detrás dessas mesmas decisões. Neste curto espaço de tempo já percebi, que sem a militância efetiva dos sócios, teremos as mesmas dificuldades. Quem faz as instituições são as pessoas. O clube é muito grande, com muitas secções. É difícil ser competitivo sem a presença daqueles que amam e vivem o clube. É essa paixão que eu senti como adversário que quero disfrutar, desta feita como treinador da casa. A Verderena não pode estar como está. Temos de nos juntar todos, sócios, simpatizantes e staff, para devolver a luz àquele espaço. É o nosso cartão de visita. Somos de certeza mais do que podemos ver e sentir na nossa fortaleza.  


 


A planificação da pré-temporada e o início dos trabalhos já estão definidos? 

A planificação esta concluída. Infelizmente creio que a AF Setúbal deveria alterar o calendário. É um campeonato demasiado longo e este começo antecipado devido a jogos da taça, retira-nos unidades de treino que são fundamentais. A Taça sendo um objetivo do clube, sinceramente, estará em segundo plano na nossa organização. Importa chegar a outubro nas melhores condições. A experiência de anos de trabalho ensina-nos a consolidar o crescimento da equipa. Espero que os nossos sócios entendam esse desiderato e opção. 

 


O Barreirense tem adeptos que sentem o clube com grande intensidade, espera contar com o apoio deles tanto em casa como nos jogos fora? 

Sou treinador há muitos anos e sinceramente é um dos palcos mais duros que visitei e que demostrei o maior respeito, pela forma como as claques e sócios empurram a equipa e condicionam os adversários. Temos de voltar a fazer deste espaço um ”inferno”, mas sem ultrapassar a urbanidade e regras de fair-play. O clube tem grandes responsabilidades financeiras, que deveriam ser canalizadas para o reforço da equipa, e que têm de ser desviadas para amortizar multas por erros do passado. Vamos lutar a uma só voz, mas dentro do que as regras ditam. 

 


Há algo mais que queira acrescentar? 

Este vai ser um ano muito importante para relançarmos a competitividade do FC Barreirense. Estamos claramente em desvantagem, devido ao nosso passado e ao facto de alguns clubes terem condições financeiras muito superiores, quiçá alicerçadas em apoios camarários e investidores. Nós estamos orgulhosamente sós. Podem ter melhores condições neste momento, mas o esforço e dedicação movem montanhas, assim os sócios e simpatizantes de um clube com 115 anos o desejem. Deste grupo de homens, que ainda não se conhecem, como seu líder, apenas posso garantir o seu compromisso em honrar a história no tempo. Uma fé que tudo vence, um valor mais alto ainda. Um só nome Barreirense. 

 

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