Sentimo-nos desvalorizados ...
“CLUBE VAI FAZER UMA REESTRUTURAÇÃO E PROPÔS A REDUÇÃO DE UM TERÇO NO SALÁRIO”
Hélio Pinto, e restante equipa técnica, compreendem e respeitam a decisão da Direção mas consideram uma situação injusta devido ao bom trabalho realizado.
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Em entrevista ao nosso jornal, Hélio Pinto, conta tudo ao pormenor, fala do trabalho desenvolvido ao longo da época e mostra-se recetivo a convites para prosseguir a sua carreira de treinador.
De quem partiu a decisão da sua saída do comando técnico do CO Montijo??
A decisão partiu da direção que me disse ser intenção de fazer uma reestruturação que passava por ajustar o dinheiro para regularizar a situação em termos financeiros e avançou com uma proposta que passava pela redução de 1/3 do salário. Nós tentamos ajustar a situação mas na verdade consideramos que era injusto devido ao bom trabalho realizado, ficámos em segundo lugar no campeonato, vamos de novo à Taça de Portugal e fomos à final da Taça AF Setúbal, que proporciona alguns beneficios em termos financeiros. Os meus adjuntos não se importavam de baixar alguma coisa para continuar a trabalhar comigo mas não era a mesma coisa porque nos sentíamos desvalorizados. Eu percebo a intenção da Direção que quer colocar tudo em dia e seguir no caminho certo para ficarem sem dívidas. Temos que respeitar a decisão do clube.
Com que sentimento ficou?
Estou tranquilo porque saí a bem do clube e fiquei satisfeito com o trabalho realizado. Muito sinceramente, adorei trabalhar no clube porque senti o apoio de toda a gente, tanto em termos de balneário, como da parte da Direção e dos adeptos que são fantásticos. Não me importava de continuar a trabalhar mas percebo que o futebol por vezes tem destas coisas.
Que balanço faz do trabalho realizado?
Considero muito positivo. O ano passado ficamos a um ponto do Alcochetense mas muitos dos jogadores foram embora e nós tivemos que fazer uma equipa praticamente nova. No início da época chegámos a ter 40 jogadores a trabalhar connosco porque apareceu muita gente à experiência, mas conseguimos formar uma equipa bastante competitiva, com muita juventude, e até utilizámos um júnior de primeiro ano, a titular. Esta mistura de juventude com alguma experiência creio que foi muito positiva.
Talvez. Houve realmente resultados em que pagamos certamente por isso. A pouca experiência pode causar alguns erros, é natural que isso aconteça mas estou satisfeito com o desempenho de todos, incluindo os que faziam parte da equipa sub-22 que trabalhava connosco. Muitos deles evoluíram bastante e acabaram também por fazer uma época muito boa.
A diferença pontual para o Vitória foi bastante acentuada como explica a situação. Havia uma grande diferença entre as equipas, ou nem por isso?
O Vitória tinha uma excelente equipa, uma excelente equipa técnica e muitos bons jogadores, mas o valor das duas equipas não reflete essa diferença. O futebol é isto mesmo. Há muitas situações em que o Vitória ganhou muitos jogos depois dos 90 minutos e teve alguns 20 penaltis durante o ano, enquanto nós tivemos 3 ou 4, houve uma diferença abismal. Dou como exemplo o jogo com o Alfarim em que empatámos 0-0, nesse jogo tivemos dois penaltis a nosso favor que não foram assinalados. E, depois, trabalhar sobre dois ou três empates seguidos ou uma derrota é completamente diferente de quem trabalha só com vitórias. O Vitória tinha uma equipa muito experiente com jogadores que já ganharam várias vezes este campeonato mas a diferença pontual registada no final entre as duas equipas não é justa. Nos três jogos que disputamos, perdemos em casa (2-0) num jogo muito equilibrado, no Bonfim empatámos (2-2) onde a primeira parte foi do Vitória mas a segunda foi nossa, e no jogo da final foi o que foi. Na primeira parte fizemos um jogo muito bom mas eles acabaram fazer dois golos, o primeiro num remate fora da área num lance em que o jogador nunca mais volta a fazer o mesmo na sua carreira e o segundo de penalti.
Tive ofertas para ir para o estrangeiro (Chipre e Bulgária) mas não aceitei por questões da minha vida familiar. Os projetos que aparecerem terão que ser perto de casa. Mas, neste momento, não há nenhuma proposta. Estamos abertos e receptivos a convites porque esta é a nossa profissão mas vamos ter que esperar que o telefone toque.
Há algo mais que queira acrescentar?
Desejar muita sorte para o CO Montijo porque é um clube que merece e tem gente que trabalha bastante- Espero que consiga colocar o clube no caminho certo. E, em relação a mim e equipa técnica, que apareça algum projeto para que possamos continuar a evoluir. Aproveito também para pedir desculpa a todos os amantes do futebol pelo cartão vermelho que vi na final da taça AF Setúbal por um acto irrefletido da minha parte que poderia ter colocado em casa uma carreira que tem sido bonita. Mas, tudo tem a ver com a emoção do jogo. Peço desculpa por isso, porque não é de forma nenhuma a minha maneira de ser nem o exemplo que devo dar a quem gosta de futebol.

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