C. PIEDADE Sérgio Bóris e o título conquistado - JORNAL DE DESPORTO

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terça-feira, 4 de junho de 2013

C. PIEDADE Sérgio Bóris e o título conquistado

“Tivemos durante toda a época
 um comportamento de equipa grande”

  Sérgio Bóris, tem apenas 37 anos, e no seu curriculum conta já um título de campeão distrital conquistado precisamente esta época ao serviço do C. Piedade para onde se transferiu na temporada anterior depois de uma passagem pelos Pescadores da Costa de Caparica onde viveu a sua primeira experiência como treinador de uma equipa de futebol sénior. Com uma equipa formada à sua medida, nunca escondeu que o seu desejo era chegar ao fim do campeonato em primeiro lugar, como de resto veio acontecer.

A princípio as coisas não correram muito bem mas a pouco e pouco a equipa foi ganhando consistência e o título acabou mesmo por ser uma realidade para grande satisfação dos piedenses que regressaram assim, 25 anos depois, ao Nacional da 2.ª Divisão.

De forma aberta e tranquila, Sérgio Bóris aceitou o nosso convite para falar em pormenor sobre aquilo que foi a época desportiva e na nossa conversa falámos um pouco de tudo, das críticas que foi alvo, do número de penaltis marcados a seu favor, da derrota sofrida na final da Taça AF Setúbal e do seu fantástico grupo de trabalho que terminou o campeonato em beleza.


 “Ser campeão deu-me um prazer enorme” 

O que representa para si, em termos pessoais, a conquista deste título?
Em primeiro lugar ver tanta gente feliz com este título e sentir de perto a satisfação de todos os que directa, ou indirectamente, contribuíram para a sua realização, foi para mim um prazer enorme. Depois, o facto de esta ser apenas a minha segunda época a treinar seniores e a primeira em que as circunstâncias me permitem começar e terminar um projecto. Fazê-lo com uma subida de divisão foi também importante.

Foi mais difícil do que esperava ou nem por isso? 
Em momento algum esperei facilidades. Nesta distrital apresentaram-se equipas como Alcochetense, Almada, Alfarim, Pescadores e Grandolense, todas elas com bons jogadores e treinadores experientes. Portanto, sabíamos à partida as dificuldades que iríamos encontrar. O facto de termos tido um dos distritais mais equilibrados dos últimos anos valoriza mais ainda o nosso título

A princípio as coisas não começaram nada bem para o C. Piedade e nessa altura surgiram algumas críticas. Isso não afectou em nada o normal desempenho do grupo de trabalho? 
As críticas existem e vão existir sempre. É importante perceber de onde vêm e quem as faz. Não podemos fugir da realidade e essa diz-nos que tivemos realmente um início longe do que desejávamos. Sabíamos, contudo, o que estava feito e o que tínhamos que fazer para chegar onde queríamos. Foi esta confiança, e aquilo que era o trabalho diário, que fez com que o grupo em momento algum tivesse tremido. Tivemos durante a época sempre um comportamento de equipa grande que quando tem que ganhar, ganha.

A rivalidade com o Almada fez crescer um pouco a emoção, pelo menos fora dos relvados. Isso também mexeu com os jogadores? 
Piedade e Almada são eternos rivais. Sentimos isso nos jogos em que os defrontamos, porque havia mais gente, mais adrenalina e mais envolvimento das pessoas em redor dos jogos. Mas, nós técnicos e jogadores, desde o início definimos que não estávamos neste campeonato para ganhar dérbis ou atingir vitórias pontuais. Queríamos muito mais que isso, e graças ao envolvimento e dedicação de todos, com especial destaque para os jogadores, chegámos ao fim no lugar que definimos atingir no princípio; ou seja, em primeiro.

“Imagino que o momento não esteja a ser fácil para os críticos”

  Os adversários ironizavam com alguma frequência a quantidade de penaltis marcados a favor do C. Piedade. Como é que reage a esta situação?
Tivemos 13 penaltis a favor e 10 contra. Somos o melhor ataque, a melhor defesa e matematicamente campeões na penúltima jornada. Perante isto, não me parece que tenha que reagir ao que quer que seja. As pessoas são livres de arranjarem as explicações que quiserem para justificar os seus insucessos. Eu nunca fui, não vou e espero ter a capacidade de nunca ir, por esse caminho. Já disse isto uma vez, e vou repetir, eu nunca vou justificar o insucesso de uma equipa minha com atitudes ou comportamentos de terceiros. Neste caso, especificamente só poderei entender esses comentários como a frustração de quem vê uma equipa de velhos, mercenários, com jogadores de qualidade duvidosa e que só descem equipas. Em determinada altura, foi assim que este plantel foi apelidado. Imagino que para esses críticos o momento não esteja a ser fácil.

E, sobre a derrota na final da Taça que tem para dizer. Provavelmente terá sido uma desilusão? 
Mentia se dissesse que, depois de estarmos na final, não preparámos o jogo com todas as armas que tínhamos disponíveis na altura, mas também mentiria se lhe dissesse que a Taça era o nosso principal objectivo. Chegámos à final, perdemos e ficámos tristes. Mas, embora concorde que as finais são para vencer, mesmo perdendo prefiro jogá-las do que ficar a vê-las na bancada.

Qual o sentimento com que se fica, quando se consegue alcançar o objectivo e se vê tanta gente vibrar com o feito conseguido? 
Naturalmente feliz e a desfrutar do momento mas sempre com os pés bem assentes na terra porque sei que muitos dos que me felicitam hoje foram os primeiros a criticar-me há 5/6 meses atrás. Será sempre assim. Agora, não escondo que me dá um gozo especial sentir que contribuí para o sorriso de tanta gente. Vivi o momento sempre de forma equilibrada e continuo a ser mesma pessoa. Não me sinto o melhor de todos porque a "minha" equipa ganhou o campeonato, como também não me senti o pior quando a "minha" equipa perdeu a final da Taça AFS

Gostaria de dedicar este título a alguém em especial? 

A conquista de um título envolve sempre muita gente. Espero não me esquecer de ninguém. Começo pela direcção e principalmente à estrutura do futebol sénior (Patacas e Nito); ao Garcia, que recupera jogadores como ninguém; ao Florescu (roupeiro); a todos os técnicos, jogadores e treinadores da formação, em especial ao Ricardo Silva que numa altura difícil se chegou à frente publicamente reiterando a confiança nesta equipa técnica; aos sócios, adeptos e simpatizantes que nos apoiaram; a todos aqueles que através das redes sociais nos punham constantemente em causa com comentários que muitas vezes roçaram a falta de educação [foram vitaminas gratuitas que entraram naquele balneário e que ao contrário do que possa parecer nos deixaram sempre mais fortes e com uma vontade e ânsia de vitória cada vez maior]; à minha equipa técnica, pessoas únicas com uma qualidade ímpar e que não troco por ninguém [sem eles certamente não teríamos ganho], e, por fim, a um grupo de jogadores fantásticos feito de homens com H muito grande que iniciaram a época formando um plantel e acabaram como uma família. A título pessoal quero aproveitar para dedicar este título ao senhor Luís Silveira que, esteja onde estiver, tenho a certeza que vibrou com esta conquista; à minha mãe e ao Zé que não perderam um jogo e tiveram sempre a primeira palavra quando os resultados não apareciam e ao meu filho, principal razão da minha vida, que dia após dia, não se cansava de repetir: "Calma pai, no fim estamos juntos, carecas e a festejar com quem merece".

 “Mais, importante que a minha continuidade é o clube organizar-se” 

  E em relação ao futuro quais são as perspectivas. Vai continuar, o que há de concreto? Quanto ao futuro, vamos ver o que acontece. Mais, importante que a minha continuidade é o clube organizar-se e preparar-se para se apresentar o mais forte possível, na próxima época. O Cova da Piedade não terá certamente capacidade para ombrear em termos de orçamento e experiência competitiva com a maioria dos clubes que vai defrontar. Logo, terá que se apoiar naquilo que tem de melhor, espaço físico, boas condições de trabalho, cumprimento das suas obrigações e pessoas que sentem o clube de uma forma única e tudo fazem para o seu crescimento. Quanto às perspectivas, parece-me claro que o clube na próxima época não poderá pensar em classificações mas sim em objectivos e esses só podem passar pela manutenção. Se for quarto ou quinto fantástico, mas se terminar no primeiro lugar acima da linha de água, numa primeira época, depois de 25 anos de ausência na 2.ª divisão, também será bom.


Como treinador da equipa campeã. Na sua opinião, qual o melhor 11 do campeonato? 
Para mim, o melhor 11 do campeonato sairá sempre de dentro do meu plantel.

E o melhor 11 do campeonato, sem colocar jogadores do Piedade? 
Se tivesse que fazer uma selecção escolheria os seguintes jogadores: 1- Hernâni (Pescadores); 2- Carlos Soares (Pescadores); 3- Ricardo Aires (Pescadores); 4- João Nunes (V. Gama de Sines) 5- Manteigas (Comércio e Indústria / Desp. Fabril); 6 - Sandro Vicente (Grandolense / Amora); 7 - Dinis (Almada); 8 - Cirilo (Almada); 9- Karadas (Grandolense); 10 - Besugo (Grandolense); 11 - Marco Véstia (Alcochetense).

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