JUNIORES»» Beira Mar de Almada e a luta pela subida à 1.ª Divisão Nacional - JORNAL DE DESPORTO

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30 de janeiro de 2014

JUNIORES»» Beira Mar de Almada e a luta pela subida à 1.ª Divisão Nacional

O treinador Luís Esteves acredita

“Nas grandes batalhas da vida o primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer”


O Beira Mar de Almada acredita que é possível atingir o patamar mais alto do futebol nacional no escalão de juniores e é por isso que vai lutar na segunda fase que se inicia na próxima semana. Qualidade, valor e ambição são coisas que não lhe faltam e até os números jogam a seu favor. Depois de ter vencido de forma categórica a sua série com oito pontos de vantagem sobre o segundo classificado [Portimonense] a equipa almadense apresenta também um excelente registo entre as 50 equipas que participaram na primeira fase da competição, senão vejamos: a nível nacional foi a equipa que mais pontos conquistou (44) e, juntamente com o Freamunde, a que mais vitórias conseguiu (14); possui o segundo ataque mais concretizador da prova com 59 golos marcados, sendo superado apenas pelo Boavista que marcou 68 e tem a quarta defesa menos batida do campeonato com 20 golos sofridos. Entre os clubes que integram a Zona Sul, é o melhor em tudo, excepto em matéria de golos sofridos onde o Casa Pia ganha apenas por um (19 contra 20). É certo que os números valem o que valem e as estatísticas não ganham jogos mas que é um bom indício, lá isso é.
Para ficarmos a saber mais alguns pormenores sobre o grupo de trabalho e o que é que ele pensa fazer na segunda fase do campeonato, o nosso jornal foi ao encontro de Luís Esteves, o treinador principal da equipa.

“O objectivo ainda não foi atingido”

O Beira Mar de Almada realizou uma excelente primeira fase. Era isto que esperava da equipa ou será que ela superou as expectativas?
Sim, esperava este desfecho. Posso mesmo dizer que o objectivo principal traçado no dia de apresentação da equipa ainda não foi atingido. Este foi apenas um objectivo intermédio, os meus jogadores sabem bem o que pretendemos. O que não esperava era chegar ao fim com 8 pontos de vantagem sobre o segundo e 12 pontos sobre o terceiro., Esperava mais luta até ao fim desta fase. Durante os 18 jogos, a única equipa que nos tirou a liderança (Olhanense) por uma ou duas vezes (já na segunda volta) ficou a 18 pontos de nós. Penso que estamos todos de parabéns, direcção, equipa técnica, mas essencialmente os jogadores que são os grandes obreiros desta fase. Eles sabem que unidos venceremos e divididos cairemos. Também sabem que a união é um bom começo, manter a união é um progresso e que a vitória é trabalhar em conjunto. O trabalho em equipa é um malabarismo constante entre o interesse próprio e o interesse do grupo.

“Quando alguns jogadores se lesionaram
parecia que o mundo tinha acabado”

Durante a caminhada foram surgindo alguns contratempos, sobretudo a nível de lesões, mas mesmo assim a equipa conseguiu manter o seu nível competitivo. Qual tem sido a chave para o sucesso?
A chave do sucesso é simples: sermos leais, honestos e frontais e serve tanto para a equipa técnica como para os jogadores. Qualquer jogador, não é igual ao outro, mas sim único com as suas capacidades. Por isso, temos que evidenciar as características de cada um em prol do grupo. Isto é, qualquer jogador que entre em campo sabe perfeitamente que o que pretendemos no fim são os três pontos. De facto, quando determinados jogadores se lesionaram parecia que tinha acabado o mundo no clube mas como demonstrei a realidade foi bem diferente; ou seja, se tenho 25 jogadores é porque têm competência para integrarem este grupo vencedor, se não tivessem, não estavam lá. Lamento imenso o que sucedeu, e já agora aproveito para deixar um abraço de rápidas melhoras ao nosso capitão (Penha) e ao guarda-redes (David Torres). Será bom não esquecer que quando se tem uma meta, o que é obstáculo passa a ser uma etapa dos seus planos de vida. Ou seja, não é tanto o que nos acontece mas a maneira como reagimos ao que nos acontece. Também nunca se deve esquecer que a dor é passageira.

“Não me deixo levar por azias
ou por palmadinhas nas costas”

Como é que os adeptos e simpatizantes do Beira Mar estão a viver este momento de grande satisfação pelo facto do clube estar a lutar pela subida ao Campeonato Nacional da 1.ª Divisão?
Esta não é a primeira vez que acontece. Na época 2011/2012 (que foi a minha primeira época no Beira Mar de Almada) a equipa também lutou pela subida de divisão, só que naquela altura apuravam-se directamente para esta fase as três primeiras equipas de cada grupo e o Beira Mar ficou em quarto lugar. Depois venceu na liguilha o Torreense e ficou apurado. Apesar do sucesso desta equipa sentimos que não estamos a agradar a todos porque a grande parte dos simpatizantes são pais dos jogadores que estão no plantel. Quando os filhos são opção é tudo muito bonito mas quando não são criticam muitas coisas mas eu não me deixo levar por azias ou por palmadinhas nas costas. Tracei o meu rumo dentro de certos limites e é esse que continuo a seguir, porque sei o trabalho que é realizado pela equipa técnica (eu e o Fernando Rocha). A experiência que tenho em campeonatos nacionais é grande. Por isso, sei o que é preciso para ter sucesso (com esta época a decorrer é o oitavo campeonato seguido que disputo entre juvenis e juniores). Claro que os simpatizantes do clube que directamente não têm a ver com o grupo estão muito contentes e satisfeitos.

“Temos que continuar a trabalhar
para sermos mais fortes”

Como é que os jogadores estão a abordar a sua participação na segunda fase da competição?
Os jogadores estão cientes do que poderão fazer sem grandes alaridos de vitória porque como disse atrás ainda não ganhámos nada. O que aconteceu foi apenas superar uma meta intercalar, até ao nosso objectivo final. Temos que continuar a trabalhar para nos superarmos e sermos mais fortes para os desafios futuros. Aqueles que julgam que as coisas boas caem do céu que se enganem. Só com muito trabalho, dedicação e espírito de vencer, conseguimos superar os obstáculos da vida (o sonho comanda a vida). Os jogadores sabem que nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer. Qualquer jogador sabe que connosco à frente da equipa, tem que lutar pelo sucesso e não pela fama. Se a fama vier, têm de dar pouca importância a ela.

No plantel existem jogadores que podem dar o salto para clubes de maior dimensão?
No meu plantel existem jogadores para isso, não tenho dúvidas. Mas, como são portugueses e não pertencem a certos senhores não sei se irá acontecer com algum deles. O que vem além-fronteiras é sempre melhor  na cabeça de algumas pessoas mas na realidade não é verdade. Nós temos jovens com muita qualidade.

E o que é que o Luís Esteves como treinador da equipa pensa que ela é capaz de fazer, nesta fase. Acredita que é possível chegar à 1.ª Divisão Nacional?
Sim, penso que é possível. O campeonato que fizemos é bem revelador disso mesmo. Portanto, vamos fazer tudo para o conseguir. Já defrontámos grandes equipas nesta fase naquele que foi o campeonato mais competitivo dos últimos tempos na Série E. Vejam os dados estatísticos e reflictam.

“É preciso estarmos todos unidos
em volta do grupo”

Por aquilo que sabe, quais são os principais adversários?
Não existe principais adversários. Nesta fase são todos porque estão com mérito a disputá-la. Vamos tentar superá-los e ver se não existem outros adversários (críticos) a nível interno. Agora, mais que nunca, é preciso estarmos todos unidos em volta do grupo, independentemente de quem joga ou não.

Quer deixar alguma mensagem a alguém em especial?
Sim, quero agradecer a várias pessoas. Começo pela minha família (mulher e filho) pelas horas que lhes retiro, pela dificuldade na gestão das férias porque os campeonatos começam em Agosto e pelo apoio que me deram nestes anos (são o meu porto de abrigo). Quero também agradecer ao Fernando Rocha, grande treinador (dos melhores que trabalham no futebol de formação) e amigo, este sucesso sem ele não existia, é daquelas pessoas que merecem tudo o que há de bom; à direcção do clube nomeadamente à presidente, D. Gina e ao vice- presidente Rui Bicho; ao coordenador do futebol João Luís (sem ele à frente do futebol juvenil nada disto seria possível); aos directores Carlos Romão e Fernando Costa que nos têm acompanhado sempre nos bons e menos bons momentos; aos adeptos, que nos têm acompanhado; ao massagista sr. Relvas, que tem feito tudo para superar alguns momentos difíceis dos atletas; e, por fim, aos grandes homens e grandes obreiros deste sucesso, os jogadores. A todos, o meu muito obrigado.

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