BARREIRENSE»» Marco Almeida explica saída do clube - JORNAL DE DESPORTO

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sexta-feira, 6 de novembro de 2020

BARREIRENSE»» Marco Almeida explica saída do clube

 

Sentiu que não tinha o apoio da estrutura do futebol…

 

“A MINHA SAÍDA NADA TEVE A VER COM O FUTEBOL JOGADO NAS QUATRO LINHAS”

 

 


“A minha saída do Barreirense não teve nada a ver com a derrota sofrida em Monção para a Taça de Portugal. Quem assistiu ao jogo viu que o Barreirense entrou muito bem, fez um golo que foi anulado, logo a seguir o adversário marcou, fomos à procura do empate que podia ter acontecido numa grande penalidade que não foi concretizada e depois sofremos novo golo em posição de fora de jogo. A partir daí só deu Barreirense mas não conseguimos dar a volta ao marcador”, começou por dizer ao nosso jornal Marco Almeida que lembrou, entretanto, que na semana anterior a equipa tinha feito um jogo-treino com o Lusitano de Évora que venceu por 3-0. “De uma semana para a outra, a equipa não deixou de saber jogar e de interpretar aquilo que a equipa técnica pretendia”, acrescentou.

 

“O que originou a minha saída do clube nada teve a ver com o futebol jogado nas quatro linhas mas com algumas situações que não gostei e transmiti isso à estrutura do futebol”, citando alguns exemplos.


 

Sempre fui flexível em termos de grupo de trabalho porque tinha a noção que havia jogadores que trabalhavam durante o dia e treinavam à noite, apesar de todos eles serem pagos para isso. A primeira situação teve a ver com a chegada tardia a um treino por parte de quatro jogadores que vinham todos juntos, porque um deles saiu mais tarde do trabalho. Comuniquei ao director desportivo que esta situação não era compatível e que teríamos que encontrar uma solução. A situação não foi resolvida e eu sugeri que esse jogador, que chegava constantemente atrasado ao treino, fosse afastado. Foi-me dito que o jogador não podia ser dispensado porque era ele que trazia os outros”.

 

 “Outra situação tem a ver com um jogador que veio ter comigo na semana que antecedeu o jogo da Taça de Portugal e me disse que não estava psicologicamente em condições de ir para estágio com a equipa no sábado e pediu para ir no domingo porque o seu agregado familiar havia aumentado e não queria deixar a família sozinha na noite de sábado para domingo. Eu disse-lhe que isso não faria sentido porque havia outros jogadores com filhos que também iam deixar as famílias em casa. A estrutura do futebol mais uma vez nada fez para que o jogador fosse punido”.

 


“Outro caso está relacionado com um jogador que passava o tempo a dizer mal das condições do clube e da equipa técnica. Falei com os capitães de equipa e todos eles me disseram que esse jogador era um elemento tóxico no balneário porque andava sempre a dizer mal de tudo e todos, incluindo os treinos e a equipa técnica. Descrevi o problema ao director desportivo e ao vice-presidente que me disse que esse jogador teria que abandonar o clube. Mais tarde, o vice-presidente falou com o jogador que assumiu tudo o que havia dito mas disse que estava pronto para continuar a representar o clube. Eu achei aquilo muito estranho. Foi-me pedido para falar com o jogador mas eu recusei porque não sou hipócrita. Como poderia estar a falar com alguém que dizia mal de mim e dos meus métodos de trabalho. No dia seguinte fui informado que afinal o jogador iria continuar. Fiquei incrédulo porque os capitães de equipa me haviam dito que existia um grupo de jogadores que não estava a rumar para o mesmo lado, aqueles que tinham vindo pela mão do director desportivo. Quando isto acontece só há uma solução mandar esses jogadores embora. A estrutura do futebol não aceitou e quem saiu fui eu”.


 

“Ainda sugeri que a estrutura do futebol fosse ao balneário anunciar a saída do jogador e que dissesse que quem quisesse sair com ele que o fizesse e acrescentasse que a equipa técnica teria todo o apoio da estrutura. Como isso não aconteceu, entendemos que não valia a pena continuar. Pedi também para me deixarem despedir dos jogadores mas não foi permitido provavelmente porque ao fim da tarde já havia outra pessoa para dar treino. Portanto, mais uma vez digo que a minha saída do clube nada teve a ver com a derrota sofrida em Monção”.

 

Marco Almeida não esconde que ficou descontente com a situação porque sentiu que não tinha o apoio da estrutura. “Gostava de ter ficado até ao fim. Qualquer treinador que esteja envolvido num projecto gosta de o terminar”.

 

E, a finalizar a nossa conversa referiu que está “disponível para abraçar outro projecto que possa surgir mas não quero passar por uma situação semelhante. Enquanto profissional de futebol pediram sempre respeito por quem tinha à frente e pelo compromisso. É isso que exijo também como treinador”.

 

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