AMORA - EM CAUSA PODE ESTAR A PARTICIPAÇÂO DA EQUIPA NA SEGUNDA FASE - JORNAL DE DESPORTO

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quinta-feira, 14 de março de 2013

AMORA - EM CAUSA PODE ESTAR A PARTICIPAÇÂO DA EQUIPA NA SEGUNDA FASE

José Meireles explica as razões da saída 

 “Somos um clube com uma
 Direcção cansada e sem prestígio” 

A afirmação é do ex-treinador José Meireles que sempre sentiu que o Amora era um alvo a abater porque desde cedo se apercebeu que quando os árbitros erravam era sempre para o mesmo lado. Sobre os muitos problemas existentes o técnico diz que o tiro final foi dado pela Direcção com a saída do Nuno Sampaio.

Depois da saída do director desportivo, António Duro, agora, foi a vez do treinador José Meireles, abandonar o Amora. A decisão foi tomada na sequência uma sessão de esclarecimento realizada, em substituição de uma Assembleia Geral entretanto marcada e depois desmarcada, no último domingo, no final do jogo com o Cartaxo a contar para a última jornada da primeira fase da Série E, do Campeonato Nacional da 3.ª Divisão, que ditou a descida do clube da margem sul do Tejo ao distrital. Terminada a sua colaboração no clube, o técnico não perdeu tempo e horas depois acabou por ingressar no Monte de Caparica aceitando o convite para dirigir a equipa na 1.ª Divisão da AF Setúbal, em substituição de Márcio Rodrigues que havia colocado o seu lugar à disposição da direcção, após a derrota sofrida no último domingo no jogo que realizou em casa com o Cova da Piedade. No que respeita ao Amora, resta saber agora qual vai ser a solução encontrada. Na Medideira há um nome que parece merecer o consenso para treinador da equipa. Mas, devido à instabilidade vivida, com o anúncio da realização de eleições para o dia 7 de Abril, há quem ponha em causa a presença do clube na segunda fase do Campeonato Nacional da 3.ª Divisão.

 O Jornal de Desporto foi ao encontro de José Meireles que aceitou o repto para esclarecer as razões da sua saída do clube. Eis, o teor da conversa que mantivemos:

 “Em algumas semanas apenas conseguíamos fazer um treino” 

Quais as principais razões para a saída do comando técnico do Amora? 
Não houve uma razão especial mas sim um acumular de situações ocorridas ao longo de cinco meses onde o anormal era não haver qualquer problema para resolver. Qual a análise a fazer sobre o comportamento da equipa ao longo do campeonato? Com todas as vicissitudes que tivemos ao longo da época, desde a entrada e saída constante de jogadores, penso que tivemos uma prestação bastante positiva.


A falta de condições de trabalho tiveram influência na classificação final ou será que houve outras razões que contribuíram para o não apuramento para o grupo dos seis primeiros? 
Claramente, mas não só. Posso enumerar algumas, como por exemplo o facto da equipa raramente conseguir fazer três treinos por semana e que em algumas semanas só conseguíamos fazer um treino porque os meus amigos Manuel Pinéu (ADQC) e Tiago Morais (Charneca de Caparica) se disponibilizaram sempre para me ceder um dos dias do treino deles para fazermos um amigável. As razões para não haver treino tinham a ver com a falta de equipamentos, falta de campo e outras. Mas, quando digo que não foi só a falta de condições quero dizer que na realidade sempre senti que o Amora FC era um alvo abater, Desde muito cedo apercebi-me que os árbitros quando se enganavam era sempre contra nós, talvez porque eramos um clube com uma Direcção cansada e já sem prestigio. Mas, o tiro final na nossa equipa foi dado pela Direcção com a saída do Nuno Sampaio. A partir daí, nunca mais fomos equipa. Alguns poderão dizer que só um homem não pode ser tão influente mas a verdade é que homens com H grande no futebol há poucos e o Nuno é um deles. Ele, conjuntamente com o Tó Loureiro, eram a minha voz dentro do campo e do balneário. Com a saída do Nuno Sampaio e com a lesão do Tó começou-se a perder o grupo que é muito jovem e extremamente influenciável.

“Desde o primeiro dia que entrei
fui sempre atacado pelos mesmos” 

Há quem diga que houve um boicote muito grande à equipa por parte de alguns adeptos. Também partilha desta opinião? 
Adeptos, são aqueles que lutam pelo clube sem interesses. Agora alguns energúmenos que não dão a cara, esses não são adeptos. Quero, no entanto, dizer, que o boicote que alguns fizeram tinha como objectivo a pessoa do Presidente só que nos apanhava a nós pelo caminho e até isso foi difícil de gerir, para não falar também dos atletas que foram tão injustamente atacados nas redes sociais. Falando de mim, desde o primeiro dia que entrei fui atacado sempre pelos mesmos, apesar de não me conhecem minimamente. Nunca conseguiram dizer uma única verdade e passo a enumerar: sempre tratei todos os jogadores de igual forma; nunca tive nenhuma preferência por ninguém; sempre jogaram os que mereciam jogar; não sou, nem nunca fui, empresário de nenhum atleta; e, para aqueles que diziam que enriqueci no Amora, só quero dizer que ainda não recebi um euro. Portanto, para quem é frustrado e só ataca em redes sociais, com nome escondido, pode ser que agora sinta vergonha de tudo o que disse e que nada tinha de verdade.

“Saio magoado com aqueles que
cuspiram no prato de quem lhes deu de comer” 

Sai magoado com alguém? De quem partiu a decisão? 
Foi uma experiência bonita. Triste no final, é certo, mas foi algo que me deu muito prazer porque revi atletas que há muitos anos atrás enquanto mais jovens foram meus atletas e hoje homens feitos nutríamos os mesmos sentimentos. Magoado saio principalmente com aqueles que cuspiram no prato de quem lhes deu de comer. Ao clube e à nova Direcção que se avizinha desejo-lhes as maiores felicidades e que consigam levar o clube ao lugar que merece.

O telefone não demorou muito a tocar. O Monte de Caparica é agora o novo clube. Quais vão ser as linhas mestras para o desempenho da equipa no Distrital da 1.ª Divisão? 
É verdade. Talvez isso queira dizer alguma coisa. Tudo o que me foi pedido foi que trabalhasse para manter a equipa na I Divisão. E, é isso, que eu, e toda a equipa técnica que me acompanha para este projecto, iremos fazer. Já tomei conhecimento dos atletas que tenho ao meu dispor e curiosamente vou voltar a encontrar atletas que já me passaram pelas mãos no futebol juvenil. Com rigor e trabalho vamos conseguir os objectivos traçados pela Direcção.

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